quarta-feira, 20 de julho de 2016

'Seca verde' marca quinto ano seguido de estiagem severa no RN



No município de Francisco Dantas, o agricultor aposentado Francisco Fagundes, de 66 anos, busca água em poços públicos para os afazeres domésticos (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1).


G1 publica nesta semana uma série de reportagens sobre a mais severa estiagem da história do semiárido potiguar e as consequências da chamada 'seca verde'
Desde 2011 que o homem do campo sofre com a falta de boas precipitações no interior do estado. As chuvas que caíram no início do ano transformaram o cenário acinzentado em verde, mas o que veio do céu não foi suficiente para encher os reservatórios. Resultado: no final de junho, o Ministério da Integração Nacional reconheceu a situação de emergência decretada pelo governo estadual.
Atualmente, a seca afeta 153 dos 167 municípios potiguares. Destes, 14 estão em colapso (quando o companhia de água admite que não há como continuar a abastecer os moradores) e 77 desenvolveram sistemas de rodízio para o abastecimento da população.
Ao renovar a situação de emergência por mais 180 dias em março deste ano – a sexta vez seguida desde março de 2013 – o governo do estado ressaltou que a pecuária havia perdido mais de 135 mil cabeças de gado de 2012 a 2015, e que entre 2012 e 2014 houve uma redução de 65,79% na produção de grãos (milho, arroz, feijão e sorgo).
Rafael Fernandes 
O Aposentado, Jadismar Bento de 68 anos residente em Rafael Fernandes. Os efeitos da seca ele sente no bolso. “Todas as manhãs, bem cedo, vou pra rua pegar água no chafariz da prefeitura. Venho pra casa, me sento na calçada, e ligo a bomba para fazer a água subir até a caixa instalada no telhado. Demora mais de meia hora. Faço isso há um ano, que foi quando a água acabou aqui na cidade. Antes, eu pagava R$ 110 de energia, mas agora minha conta está dando mais de R$ 160”, disse.
(Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Na comunidade da Maretas, na zona rural do município, a situação é semelhante. Paulina Ferreira tem 88 anos. Também aposentada, ela disse que não precisa sair de casa para buscar água porque tem uma cisterna que é abastecida por caminhões-pipa. Mas, como a água que é trazida pelo Exército não serve para beber, ela precisa gastar com galões de água mineral. “A água que chegava pelas torneiras era boa e eu bebia dela. A que vem de caminhão só presta pra cozinhar, tomar banho e lavar roupa”, reclamou.
Nota 
Rafael Fernandes está na lista dos 14 municípios potiguares em situação de colapso, a Prefeitura Municipal decretou situação de emergência em 2015, quando a barragem de Pau dos Ferros chegou ao nível 0, pois a mesma era responsável pelo abastecimento da cidade. 
O açude Santana (Gangorra), principal reservatório do município encontra-se completamente seco, com isso a gestão municipal tem batalhado por melhorias junto aos órgãos competentes afim de amenizar as consequências da falta d'água,  e desta forma através de uma parceria com o DNOCS ( Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), foi perfurado diversos poços artesianos tanto na zona urbana quanto na zona rural. 
Após a perfuração a Prefeitura instalou  chafarizes no Centro da cidade como também no bairro Nova Esperança  melhorando a abastecimento para a população. Além disso o município também recebe água através de caminhões-pipa trazida pelo Exército onde as comunidades rurais são beneficiadas. 

Da redação com G1 RN