O Rio Grande do Norte tem 131
municípios (ou 78,4% do total) em situação de seca grave ou extrema, de acordo
com dados da Defesa Civil estadual com base em informações da Agência Nacional
das Águas (ANA). Desse total, 126 estão com emergência reconhecida pelo Governo
Federal. A razão para isso, segundo o tenente-coronel Alexandre Fonseca,
coordenador da Defesa Civil do RN, é que parte dos municípios em condições
críticas deixou de solicitar o reconhecimento federal. O Estado é o primeiro do
Nordeste e o segundo do País com mais cidades em decreto emergencial pela
Secretaria Nacional de Proteção por causa da seca.
No Brasil, Minas Gerais é o
estado com maior número de cidades em emergência pela seca com reconhecimento
pelo Governo Federal: 136. No Nordeste, o Piauí contabiliza a segunda maior
quantidade: 103 municípios. Os dados estão disponíveis no Sistema Integrado de
Informações sobre Desastres, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento
Regional (MIDR). O tenente-coronel Alexandre Fonseca, da Defesa Civil do RN,
detalhou que o reconhecimento pode ocorrer também por parte de estados e
municípios.
Ele lembra que em outubro do ano
passado, o Governo do Estado reconheceu emergência em 147 cidades potiguares,
quando o cenário era um pouco mais confortável. O decreto estadual tem prazo de
vigência de 180 dias – até abril, portanto. “À época, nenhum município estava
em situação de seca extrema, mas já havia alguns com seca grave. O decreto foi
feito com base em prejuízos da agricultura, necessidade de investimentos,
questões relacionadas a recursos hídricos”, diz.
“Mas hoje, com base nos dados da
ANA, há um grande número de cidades potiguares com seca extrema”, acrescenta
coronel Fonseca. Segundo o monitor da Agência Nacional das Águas, são 88
municípios (52,6% do total) no RN com seca extrema, outros 43 (ou 25% dos 167
municípios) estão em situação de seca grave. Os números, referentes a dezembro
passado, são atualizados mensalmente. Os dados de janeiro ainda não estão
disponíveis.
“Nem todos têm emergência
reconhecida pelo Governo Federal porque deixaram de preencher o formulário que
pede tal reconhecimento”, explica coronel Fonseca. O decreto de emergência pela
Secretaria Nacional de Proteção é importante para viabilizar ações de
enfrentamento à crise junto a órgãos nacionais.
No último dia 19, por exemplo, o
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
(MDS) disponibilizou o primeiro pagamento do Programa Bolsa Família (PBF) em um
calendário unificado de transferência para 176 municípios de nove estados
afetados de maneira crítica pela condição climática em questão.
O investimento é de R$ 266,7
milhões, destinados a atender 389,58 mil famílias no País em situação de
emergência ou calamidade pública. No RN, o benefício, cujo volume total é de R$
166,72 milhões, foi disponibilizado para 250,45 mil famílias de 120 cidades com
decreto emergencial por conta da seca. Na esfera local, segundo a Defesa Civil
do RN, as ações têm se concentrado na articulação junto aos municípios para a
Operação Carro-Pipa e distribuição de cestas básicas para o combate à
insegurança alimentar.
“Desde novembro do ano passado,
foram atendidas mais de 40 mil famílias com a distribuição de cestas. O
investimento é de quase R$ 8 milhões, com recursos oriundos do MDS. Em relação
à Operação Carro-Pipa, são 82 municípios contemplados, com atendimento a mais
de 88 mil pessoas na zona rural. Temos 225 carros-pipa em operação”, descreve o
coordenador da Defesa Civil do RN.
Outras medidas
O secretário estadual de
Agricultura, Pecuária e Pesca, Guilherme Saldanha, aponta que uma série de
outras medidas foi adotada para amenizar a crise, como a distribuição de feno
para os animais de áreas afetadas, além de perfuração e instalação de poços.
“Tivemos também obras estruturantes, como a transposição das águas do São
Francisco, o Ramal do Apodi e a Barragem de Oiticica. Sem falar que a Emater e
as prefeituras têm consolidado apoio aos agricultores com máquinas e
equipamentos”, falou o secretário.
O Instituto de Gestão das Águas
do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), por sua vez, informou que cabe ao
órgão a gestão dos recursos hídricos. Segundo o Igarn, uma das medidas adotadas
nesse sentido é a “alocação das águas”, que consiste no uso definido do recurso
hídrico de acordo com a necessidade de cada reservatório.
“Para entender essa necessidade,
são realizadas reuniões com órgãos federais, estaduais e municipais, usuários,
sindicatos, associações e a sociedade civil em geral, com o objetivo de definir
o uso das águas em determinado período”, disse o Igarn. Desde o ano passado, as
alocações já foram realizadas em nove reservatórios, dentre eles a barragem
Armando Ribeiro Gonçalves, e os açudes Itans e Gargalheiras.
Fonte: Tribuna do Norte





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