O preço do gás de cozinha voltou
a subir no Rio Grande do Norte e pode alcançar cerca de R$ 130 pelo botijão de
13 quilos, dependendo do estabelecimento. O novo reajuste varia entre R$ 4 e R$
4,50 e começou a ser repassado às distribuidoras nesta terça-feira 15, segundo
o Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás do Estado (Singás-RN). É o segundo
movimento de alta com impacto relevante sobre as revendas potiguares em 2026.
Segundo o presidente do Singás-RN, Ivo Lopes, o reajuste de setembro está ligado ao repasse de despesas acumuladas pelas distribuidoras, entre elas os custos trabalhistas. “Todo ano, em setembro, existe reajuste da distribuidora por causa dos aumentos de salários, é o período que há esse repasse dos custos anuais”, explicou Lopes. O preço efetivamente cobrado do consumidor pode variar conforme cada revenda.
O aumento acontece cinco meses
depois de outra mudança nos preços no Estado. Em abril, o botijão de 13 quilos
sofreu reajuste entre R$ 7 e R$ 10, passando a custar entre R$ 120 e R$ 125 em
diferentes pontos de venda. Na ocasião, o Singás-RN relacionou a alta aos
custos de aquisição do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e ao diesel usado no
transporte rodoviário.
O episódio de abril ocorreu em meio às discussões nacionais sobre um leilão de GLP realizado pela Petrobras no fim de março. Depois da repercussão dos preços alcançados no certame, a estatal anunciou em 9 de abril que neutralizaria os efeitos do leilão, devolvendo aos clientes a diferença entre a referência de paridade de importação divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e os valores arrematados pelas distribuidoras.
Distribuidoras afirmaram depois que essa neutralização havia sido parcial. O episódio aconteceu num período de pressão sobre o mercado internacional de energia e de aumento dos custos do produto importado.
A sequência de reajustes mostra também que o valor pago pela família na revenda não depende apenas do preço do GLP na origem. Entram na formação do preço final os tributos, além dos custos e das margens das etapas de distribuição e revenda.
No levantamento nacional referente ao período de 30 de agosto a 5 de setembro, o botijão de 13 quilos tinha preço médio de R$ 114,09 no País. Desse total, R$ 34,73, ou 30,4%, correspondiam à parcela da Petrobras, enquanto distribuição e revenda representavam R$ 60,25, ou 52,8%. O ICMS respondia por R$ 19,11.
A ANP mantém acompanhamento semanal dos preços do botijão de 13 quilos e uma série histórica que permite observar a evolução dos valores nos Estados desde 2004. A agência também publica dados consolidados mensais desde novembro de 2001, incluindo preços e margens nas etapas de produção, distribuição e revenda.
No Rio Grande do Norte, o novo repasse acrescenta pressão sobre um produto de consumo recorrente das famílias. Caso o valor de aproximadamente R$ 130 se confirme nas revendas, o botijão ficará acima da média nacional observada antes do reajuste de setembro. A dimensão efetiva dessa diferença, porém, dependerá das próximas pesquisas da ANP, que acompanha semanalmente os preços praticados ao consumidor.
Fonte: AGORA RN





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